quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

OBRA POÉTICA DE JOÃO CARLOS RAMOS > > > PARTE 1


O Amor 

Por João Carlos Ramos

Venha fazer amor na madrugada. 
Flores sem espinhos 
e sem mãos para arrancá-los 
te aguardam 
em silêncio. 
Mel sai das palavras 
e sorrisos reinam 
sem fronteiras. 
O relógio para 
enquanto o sono 
atravessa o rio... 
A noite bela e fria 
não tem fim. 
Beijos vulcânicos 
fundem nossos corpos. 
Venha 
fazer amor assim!


(Poema extraído de "O Melhor das Antologias: um convite à navegação sem rumo! da Academia Divinopolitana de Letras, Belo Horizonte: Gráfica O Lutador, 2010, p. 56, autor do projeto editorial e apresentação: presidente da ADL Célio Tavares)


Salmo dos que escaparam


Por João Carlos Ramos


Bem-aventurados os que não entendem

e nem precisam entender

nada de futebol.

Não sofrem o martírio das arquibancadas

de ver seu time milionário

perder e achar maravilhoso.

Não podem chorar

pelas mazelas espelhadas

em "nada de gols" e

shows de pancadaria sem razão.

Então, são ou não são

bem-aventurados?

Na última copa

(espero que seja a última)

vimos o mundo inteiro

jogando mal e o Brasil pior,

sem ataque e sem defesa,

tendo à frente

apenas um berrador.

Ainda é aconselhável

a flor,

ainda que sem perfume,

para cada

candidato

a jogador.

(12/07/2014)


Orfeu e Eurídice 

Por João Carlos Ramos

Rute Pardini 
desce aos portões do abismo 
e com seu canto sublime 
transporta ORFEU 
para o encontro com EURÍDICE... 
Cérbero e Perséfone, 
extasiados 
se emudecem... 
Hades outra alternativa 
não tem, 
ao ver a estrada de ouro 
no lugar dos portões 
que se fizeram pó. 
(Os amantes retornam 
ao mundo real) ... 
Ainda hoje 
se ouve 
o mavioso canto 
de Rute Pardini, 
diante do imenso 
mar do Braga.


(O poeta João Carlos Ramos, então presidente da Academia Divinopolitana de Letras, inspirou-se poeticamente no mito grego para, em leves pinceladas, compor seu poema, após ouvir a interpretação da soprano divinopolitana Rute Pardini, no papel de Eurídice cantando a ária "Che fiero momento", do Ato III, Cena 1 da ópera "Orfeu e Eurídice" de Gluck, no dia 10/3/2016, acompanhada ao piano por seu marido Francisco dos Santos Braga, em sarau artístico durante as festividades de entrega do TROFÉU ORFEU 2016; no dia seguinte, a própria Rute Pardini foi agraciada com o Troféu Orfeu, obra do artista Vicente Tarcísio Batista.)


O Caminho do Ouro

Por João Carlos Ramos

Braga 
e o caminho do ouro em Minas
é o retrato da feliz realidade 
em Divinópolis e São João. 
Bandeirante de almas, 
fundou algumas províncias do bem 
e não há quem possa duvidar. 
Ao lado da lenda 
que é a pessoa da Rute, 
irá mais longe, pois seu caminho é o mar... 
Amar sem limites de credo ou cor é sua missão. 
Maneira não há de ter, igual ou superior. 
São João o aplaude 
com as mãos de Divinópolis 
perante a bandeira do Brasil.