domingo, 1 de maio de 2016

DJALMA TARCÍSIO DE ASSIS, 1º SECRETÁRIO DE TURISMO DE SÃO JOÃO DEL-REI


Por Francisco José dos Santos Braga *


Djalma Tarcísio de Assis (☆ São João del-Rei, 14/01/1910 ✞ 21/08/1993)
Este artigo saiu originalmente na Revista EM VOGA publicada em São João del-Rei, MG, edição nº 4, Ano II, março de 2016, p. 4. 


Djalma Tarcísio de Assis era filho de José de Assis Sobrinho e de Isaura Augusta de Assis, esta, neta do entalhador, cinzelador, escultor, pintor e ourives Joaquim Francisco de Assis Pereira (24/02/1813-15/10/1893) e de sua mulher Maria Vicência do Carmo. O patriarca Joaquim Francisco de Assis Pereira, de quem Djalma muito se orgulhava de ser bisneto, deixou obras delicadas e primorosas nas igrejas de São Gonçalo, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do Carmo, Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar e Senhor Bom Jesus de Matosinhos. 


Djalma nasceu em 14/01/1910 em São João del-Rei, onde também se casou, e faleceu em 21/08/1993. Foi casado com Cecília Ferreira de Assis, tendo deixado os seguintes filhos: Maria Cecília, Maria Carmen, Maria Auxiliadora, Maria Dolores, Maria Teresa, José Otávio, Djalma Tarcísio, Domingos Sávio, Luiz Afonso e Maria Inês. Tinha uma forte ligação com os salesianos, bastando lembrar que, entre seus muitos filhos, dois deles levaram a “marca” da salesianidade: uma de suas filhas recebeu o nome de Maria Auxiliadora e deu a um de seus filhos o nome de Domingos Sávio.

Inicialmente, tinha enorme motivação de trabalhar, como leigo, a favor da Igreja. Vamos encontrá-lo na função de festeiro na Novena de São Judas Tadeu (de 1977 em diante), na igreja de São Gonçalo. Inesquecível também era a sua habilidade de organizar festas juninas no Largo Tamandaré (Praça Severiano de Rezende) e nos bairros da cidade, o que realizou durante anos.  Também digno de registro foi o seu pioneirismo na confecção de tapetes de rua com areia, serragem, sementes e pétalas durante a Semana Santa.

Djalma foi o grande parceiro dos dirigentes de escolas de samba e de blocos no Carnaval de rua são-joanense, incentivando e promovendo a sua participação. Passado o Carnaval, Djalma seguia para o Rio de Janeiro com o objetivo de conseguir gratuitamente alegorias, adornos e fantasias que foram usados lá, para trazê-los a São João del-Rei para seu aproveitamento no próximo Carnaval são-joanense. Foi, portanto, merecida a homenagem que prestou o Bloco Sem Compromisso, de Roberto Carvalho, ao primeiro secretário de Turismo da cidade de São João del-Rei, no Carnaval de 2015.

Djalma mantinha excelente parceria com os comerciantes locais, que o apoiavam em todas as suas iniciativas sob a forma de patrocínio cultural. Por exemplo, para publicar anualmente o seu Calendário Turístico, contava com o apoio dos comerciantes locais.

Também desenvolveu uma enorme capacidade de atuar como responsável por relações públicas dos Executivos municipais, recepcionando prefeitos, governadores e até Presidentes da República em visita a São João del-Rei. Convidado a ocupar a posição de Diretor de Turismo e Recreação pelo prefeito Nelson José Lombardi (31/0l/1963-12/09/66), manteve-se nesse cargo ao longo de várias administrações municipais, oferecendo seus préstimos para a concretização dos objetivos de sua Pasta, independente de partido político e do ocupante da cadeira do Executivo Municipal. Assim, colaborou com outras administrações que seguiram, como a de Fábio Nelson Guimarães, Gen. Antônio Carlos Mourão Ratton, Dr. Milton Rezende Viegas e Mário Lombardi, até que foi eleito Lourival Gonçalves de Andrade ("Zé Menino"), quando então Djalma se retirou da arena política.

Mas merece especial destaque o fato de Djalma ter sido a figura central de um movimento cultural, focado na música, cujo centro catalisador era o dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos, comemorado no dia 22 de novembro. Por sua importância no cenário musical são-joanense, Sebastião de Oliveira Cintra descreveu detalhadamente a programação dos 3 Festivais (de 1966 a 1968 inclusive). Participavam das apresentações as bandas de música de São João e das cidades circunvizinhas, e até a Banda de Música do 1º Batalhão de Guardas da Cidade do Rio de Janeiro e a Banda da Força Pública Mineira, de Belo Horizonte. Entre as orquestras, destacavam-se não só as são-joanenses Lira Sanjoanense, Ribeiro Bastos e Sociedade de Concertos Sinfônicos, mas também a Orquestra Sinfônica da Força Pública Mineira, de Belo Horizonte. Entre os corais, destacavam-se o Coral da “Sinfônica” e o Coral da pianista são-joanense Mercês Bini Couto, mas também outros corais de outras localidades, como o da Associação de Canto Coral, do Rio de Janeiro; o da Escola Preparatória de Cadetes de Barbacena; o Madrigal Renascentista de Belo Horizonte; o Coral de Clérigos Salesianos e dos Pequenos Cantores do Colégio S. João; o Coral da Universidade Federal de Juiz de Fora; o coro (e banda) da Lira Ceciliana de Prados; e o Coro e Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte. Participavam também o corpo de balé do Teatro Francisco Nunes de Belo Horizonte e o Grupo Aruanda (do Colégio Clemente de Faria, de Belo Horizonte) com espetáculo folclórico. Havia ainda apresentações locais de alunos do Conservatório de Música Pe. José Maria Xavier e dos estabelecimentos de ensino são-joanenses (Colégio Tiradentes, Colégio Estadual, Escola Padre Sacramento e Colégio Santo Antônio). Costumava-se encerrar a edição de cada Festival com algo grandioso: uma opereta encenada pelo elenco teatral da “Sinfônica” (Princesa das Czardas em 1966) ou um concerto de gala a cargo do coro e orquestra da “Sinfônica” em 1967 e 1968. Sempre marcante era também um concerto para piano, durante o evento, com a apresentação da consagrada pianista são-joanense Mercês Bini Couto, que tocou o Concerto de Grieg no II Festival e o Concerto de Varsóvia no III Festival.
Por último mas não menos importante: Djalma tinha compromisso com o avanço social e a melhoria das condições da comunidade são-joanense, tendo participado ativamente dos principais movimentos em prol da cultura local. Além de ser um dos sócios fundadores do C.A.C.-Centro Artístico e Cultural no dia 8 de março de 1959, também o foi quando da criação e instalação do Instituto Histórico e Geográfico em 1º de março de 1970.


 

* O autor tem Bacharelado em Letras (Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, atual UFSJ) e Composição Musical (UnB), bem como Mestrado em Administração (EAESP-FGV). Participa ativamente como membro de diversas instituições de cultura no País e no exterior, cabendo destacar as seguintes: Académie Internationale de Lutèce (Paris), Familia Sancti Hieronymi (Clearwater, Flórida), SBME-Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica (2º Tesoureiro), CBG-Colégio Brasileiro de Genealogia (Rio de Janeiro), Academia de Letras e Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei-MG, Instituto Histórico e Geográfico de Campanha-MG, Academia Valenciana de Letras e Instituto Cultural Visconde do Rio Preto de Valença-RJ, Academia Divinopolitana de Letras, Instituto Histórico e Geográfico do DF, Academia Taguatinguense de Letras, Academia Barbacenense de Letras, Academia Formiguense de Letras e Academia Lavrense de Letras. Possui ainda o Blog do Braga (www.bragamusician.blogspot.com.br) e é um dos colaboradores e gerente do Blog de São João del-Rei. Escreve artigos e ensaios para revistas, sites, portais e periódicos.