terça-feira, 29 de março de 2011

"Maestro" e literato Abgar Campos Tirado, glória de São João del-Rei


Por Francisco José dos Santos Braga



- Artigo publicado na Revista da Academia de Letras de São João del-Rei, ano V, nº 5, 2011, p. 77-94, editada pela UFSJ-Universidade Federal de São João del-Rei.


Retorno hoje a este espaço são-joanense para falar de um assunto que muito me é caro: escrever sobre Música e, especialmente, sobre um “maestro” e pianista são-joanense cuja vida tem sido marcada pelo zelo e competência no trato dessa Arte. Refiro-me a Abgar Antônio Campos Tirado, meu mestre de piano, que, nos idos de 1963, a pedido de um amigo comum, o saudoso são-joanense Gil Amaral Campos (São João del-Rei, 1938-São Paulo, 1999), me preparou com orientações seguras para meu ingresso no Conservatório Estadual Padre José Maria Xavier, na classe da saudosa Profª Mercês Bini Couto (1916-2010), o que se deu no ano seguinte. Para isso, Prof. Abgar franqueou minha entrada à sua residência e a utilização diária de seu piano, das 19 às 21 horas, estendendo-se essa benesse por mais de dois anos, até que meu pai conseguisse adquirir um Fritz Dobbert novo para o filho pianista.

Foi dessa forma que tive a oportunidade e o privilégio, nos meus verdes anos, de frequentar a residência dos Tirados Lopes e testemunhar a dor que representou para a família de Abgar a partida precoce da saudosa chefe do lar, mãe, esposa extremada e pianista, D. Águeda Campos Tirado (1903-1962). Essa dor amarga e acerba, que lhe corroía a alma, deixou-a Abgar estampada no seu poema “Mater mea, responde mihi!”, diante do inexplicável “sorriso belo, calmo, sereno e doce” de sua mãe defunta, “indiferente” aos soluços dos circundantes. Da convivência com o saudoso Antônio Tirado Lopes (Nazareno, 1901-São João del-Rei, 1992), pai de Abgar, que exerceu o mandato de vice-prefeito de São João del-Rei, de 1948 a 1951, recordo-me especialmente da gentileza e cortesia com que eu era recebido, sempre esbanjando cordialidade pela minha presença. De sua extrema bondade e hospitalidade franciscana fala Abgar no seu poema “A meu pai”. Ambos os poemas fazem parte do seu livro “Raízes e Coração”.¹

Para homenagear o Prof. Abgar, essa figura ímpar das letras e da música erudita são-joanenses, a amiga Alzira Agostini Haddad, sabedora dessa nossa ligação artística de longa data, teve a feliz ideia de sugerir-me alinhavar uma lauda que retratasse minha admiração pelo amigo e colega musicista. Difícil missão essa que me atrevo a cumprir, já que são insuficientes as páginas de um alentado livro para descrever o gênio e o brilho do meu biografado.

Embora nunca tenha saído do País, suas músicas já chegaram aos quatro cantos do Orbe, tendo Abgar acumulado, através dos anos, experiências e conhecimentos invejáveis que ombreiam com os dos maiores artistas globalizados e enfatuados homens de letras, como se verá a seguir.

Vejamos inicialmente seus projetos atuais no campo da música erudita, sua maior especialidade a meu ver. Em julho, no próximo Inverno Cultural da UFSJ, deve fazer, em primeira audição, o solo do Concertino em forma de suíte “Mandacaru”, para piano e orquestra, de Normando Carneiro da Silva, regente em Natal (fundador da Camerata do Conservatório Estadual Pe. José Maria Xavier, quando Abgar era seu Diretor. Consta também que Normando compôs uma missa inédita dedicada ao Prof. Abgar.) Finalmente me confessou Abgar que planeja tocar o Concerto nº 2, de Carl Maria von Weber, com acompanhamento de orquestra, no segundo semestre deste ano.

Já que falei sobre o nosso querido Conservatório, lembro que Prof. Abgar foi seu ilustre Diretor, durante o longo período de janeiro de 1977 a dezembro de 1991. Dignas de nota foram as suas realizações nesse cargo, dentre as quais importa destacar as seguintes, devido à sua importância cultural: fundação da Camerata e do Coral Opus 78; instalação de masterclasses de diversos instrumentos; duas edições internacionais do CLAMC-Curso Latino-Americano de Música Contemporânea, sob a supervisão dos seguintes compositores: o são-joanense José Maria Neves (1943-2002), os uruguaios Conrado Silva e Coriún Aharonián e a argentina Graciela Paraskevaídis; montagem das óperas Rigoletto e La Traviata de Verdi com solistas do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com participação da Camerata e coral sob a regência de Osman Giuseppe Gioia (que, além de maestro no Conservatório, era assistente de Isaac Karabtchevski, regente da Orquestra Sinfônica Brasileira). Inesquecível foi também a montagem e encenação da ópera Tosca de Puccini que contou só com músicos profissionais sob a regência do maestro Carlos Eduardo Prates, numa promoção do Conservatório. Na sua despedida do Conservatório, em 1991, o Diretor Abgar foi o responsável pela ópera Bastien und Bastienne de Mozart, bem como pela tradução para o português dos diálogos, contando só com a participação de músicos do Conservatório; manteve, porém, os cantos em alemão, disponibilizando para os espectadores a tradução simultânea em tela. Cabe ainda lembrar a reforma do Auditório Ministro Tancredo Neves, que, devido a alterações feitas no seu projeto original, inclusive acústicas, foi promovido a “Teatro Presidente Tancredo Neves”, inaugurado por Risoleta Neves. Pelo que aqui vai dito, pode-se apreciar o prestígio de que gozava o meu biografado junto às autoridades e celebridades de nosso País.

Prof. Abgar teve atuação destacada nos festivais de música erudita de Aiuruoca, no período de 1965 a 1969, Juiz de Fora, Belo Horizonte e Divinópolis, como solista, com acompanhamento de orquestra. Em Ourinhos-SP, a convite do GAMO, apresentou um concerto sob a regência de Osman Giuseppe Gioia. Em Curitiba, a convite do Governo Estadual, em comemoração aos 100 anos do surgimento da Sétima Arte, apresentou-se a quatro mãos com Maria Amélia Viegas. No Rio de Janeiro tocou como solista na Capela do Palácio da Guanabara, por ocasião de um casamento.

Dentre as suas centenas de composições, destaco as mais conhecidas, com o local onde foram apresentadas no Brasil e no exterior: Salve Regina (Argentina), regida por José Rodriguez Fauré, que se comprometeu a levá-la como repertório para sua turnê internacional; Panis Angelicus (Roma e Sicília); Ária Antiga, bem como Prelúdio, Marcha e Final, trilhas sonoras para dois filmes do Festival JB-Mesbla de BH, com destaque para a segunda partitura composta para o filme “Regeneração?” do diretor são-joanense Sérgio Ratton; Improviso em fá menor, tocado por Humberto Rutowitsch Garrón em Wichita, Kansas; e Novena de Nossa Senhora do Pilar, dedicada ao Monsenhor Sebastião Raimundo de Paiva, composta e apresentada em 2008 em nossa cidade. Buscando homenagear Abgar através de sua música, a WM Filmagens, com orientação de Toninho Ávila, lançou em 2009 o DVD - São João del-Rei Barroca, Colonial e Eclética, que é um documentário sobre esta cidade. Além de narrador e autor do texto, Prof. Abgar assina também todas as músicas da trilha sonora.

Outra área em que se impôs seu gênio artístico foi a da composição de hinos, sacros e profanos, especializando-se na autoria tanto da letra quanto da música. Vou citar apenas os mais conhecidos para as seguintes instituições são-joanenses: Albergue Santo Antônio (hino a Frei Cândido), E.E. Inácio Passos, E.E. Mateus Salomé, E.E. Pio XII, Escola Catavento (só música sobre letra das crianças), ASAP (só música, com letra do historiador e escritor Antônio Gaio Sobrinho), Centro Educacional Prof. José Américo da Costa, Coral Infanto-Juvenil do Conservatório Estadual Pe. José Maria Xavier, Nossa Senhora da Lapa (de Matozinhos), Centro Educacional Frei Seráfico, E.E. Carlos Fernandes Góes (só musica), Orquestra Lira Sanjoanense (só letra, com música de Geraldo Barbosa de Souza) e CESEC Prof. José Américo da Costa. Além disso, pode-se citar os hinos compostos para as seguintes instituições de outras cidades, a saber: ASCOAP e FAP de Belo Horizonte (só música); Escola Municipal Pe. Lourival de Salvo Rios de Tiradentes (letra e música); e Colégio Arquidiocesano de Ouro Preto.

Nos seus cursos de formação, Abgar teve como professores de piano Nilce Cavalcante Alves, Mercês Bini Couto e Ismênia Castelli Panzera; e como mestre de coro, Frei Geraldo de Reuver. Frequentou ainda os seguintes cursos de reciclagem oferecidos pelos pianistas Venício Mancini, André Luis Pires, Armando Amado Júnior e Miguel Rosselini. Participou também de cursos públicos de Técnica e alta Interpretação Pianística ministrados por Jacques Klein (RJ, 1963) e Magdalena Tagliaferro (Uberlândia, 1980).

Pode-se ainda citar as grandes execuções de Prof. Abgar de obras para piano com acompanhamento orquestral. Inicialmente, executou em 1ª audição, em 30 de março de 1960, no Teatro Municipal de São João del-Rei (SJDR), a Fantasia Livre sobre Melodias Brasileiras, de Nilo Weber, aos 21 anos de idade, acompanhado pela Orquestra da Sociedade de Concertos Sinfônicos de São João del-Rei (ou simplesmente “Sinfônica”) sob a regência do compositor ²; repetiu a façanha 7 dias depois. Mais tarde, notabilizou-se, tocando em quatro ocasiões (duas no ano de 1982, e outras duas em 2006) o Concerto nº 9 em mi bemol de Mozart (em 1982, acompanhado pela referida Camerata do Conservatório, sob a regência de Osman Giuseppe Gioia: a primeira vez, no Teatro do Colégio Santo Antônio, de Ourinhos-SP, e a segunda, no Teatro Municipal de SJDR; as duas outras vezes, respectivamente em 24/6/2006, no Teatro Municipal de SJDR, e em 24/8/2006, no Teatro do citado Conservatório, acompanhado pela Orquestra dos Inconfidentes de SJDR e Prados, sob a regência de Thiago Henrique de Souza. Sobressaiu-se igualmente com o Concerto nº 3 em dó menor de Beethoven em duas outras ocasiões, ambas no Teatro Municipal de SJDR: a primeira, em 21/7/1973, acompanhado pela Sinfônica sob a regência de Adhemar Campos Filho, e a segunda, acompanhado pela Orquestra de Músicos Reunidos de SJDR e Rio de Janeiro sob a regência de Paulo Miranda, em 22/10/1988. Demonstrando absoluto domínio sobre técnicas de diferentes estilos de toque, Abgar interpretou em duas ocasiões, com igual maestria, o Concerto nº 5, em fá menor, de Johann Sebastian Bach: a primeira vez, em 1983, acompanhado pela já citada Camerata do Conservatório sob a regência de Osman Giuseppe Gioia, no Teatro do Colégio Nossa Senhora das Dores, e a segunda, em 1985, acompanhado pela mesma orquestra regida por Isaak Chueke, no Teatro Municipal, ambos em SJDR. Além disso, tocou a Rhapsody in Blue, de George Gershwin, acompanhado pela Sinfônica sob a regência de Teófilo Helvécio Rodrigues, no Teatro Municipal de SJDR, em 18/11/2007. Digna de nota foi ainda sua execução da 1ª parte do 1º movimento do Concerto nº 1 op. 23 em si bemol menor de Tchaikowsky, em duas ocasiões, no Teatro Municipal de SJDR, com a Banda do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, de SJDR: uma, em 11/4/1987, sob a regência do Tenente Lúcio Leitão, e outra, em 16/4/2011, tendo como regente o 2º Tenente Antenor Noé de Sousa.

Além de obras para piano solo, para piano a quatro mãos e acompanhamentos diversos, incluindo operetas e música sacra em harmônio e órgão, podemos citar ainda as grandes execuções por Prof. Abgar das seguintes obras camerísticas:
1. Duos para piano e violino:
Sonata nº 2, op. 12, nº 2, em lá maior, de Beethoven, em 1981, com o violinista Geraldo Ivon da Silva (“Patusca”) e Sonata op. 100, em lá maior, em 1990, com o violinista Alexandre Kanji, ambas no Teatro do Conservatório Estadual, de SJDR.
2. Duo para piano e violoncelo:
Sonata em mi menor op. 38, em 1994, no Teatro Municipal de SJDR, com o violoncelista Robson Fonseca Ferreira.
3. Duo a dois pianos:
Apresentou Paráfrase sobre Dark Eyes, de Gregory Stone, e Marche Héroïque op. 34, de Camille Saint-Saëns, em 1994, com a pianista Mercês Bini Couto; e também tocou, em 1994, a Dança Húngara nº 5, de Brahms, e a Marcha Militar op.51 nº 1, com o pianista Humberto Rutowitsch Garrón, ambos no Teatro Municipal de SJDR.
4. Trio para piano, violino e violoncelo:
Em Barbacena, no Teatro do Colégio Imaculada Conceição, Abgar se apresentou, em 19/10/1991, no “Concerto Mozart”, tocando o Trio nº VI em si bemol de Mozart e acompanhando trechos das óperas A Flauta Mágica, Don Giovanni e Bastien und Bastienne, promovido pela Sala de Música Heitor Villa-Lobos; na ocasião, o violinista era Paulo Miranda e o violoncelista, Robson Fonseca Ferreira.

A título de exemplo, reproduzo neste espaço o programa de um recital que Abgar apresentou no Teatro Municipal de Ouro Preto (Casa da Ópera), em 21 de agosto de 1981, em comemoração ao 43º aniversário de fundação do Grêmio Literário Tristão de Ataíde, promovido pelo referido Grêmio, pela Escola Técnica Federal de Ouro Preto e pela Universidade Federal de Ouro Preto. Naquela noite memorável, Prof. Abgar solou, bem como acompanhou os seguintes músicos são-joanenses: Aluízio José Viegas (flautista), Geraldo Luzia do Sacramento (clarinetista) e Vicente de Paulo Barbosa Viegas (tenor). Eis o citado programa:

1ª Parte

C. Cesarini: Firenze sogna – canto
Abgar Campos Tirado: Ária – clarineta
Abgar Tirado: Improviso – piano solo
Gastaldon: Musica Proibita – canto
W. Popp: Noturno – flauta
Puccini: Che gelida manina – canto

2ª Parte

Abgar Campos Tirado: Ária Antiga – flauta
Franz Liszt: São Francisco de Paula caminhando sobre as ondas – piano solo
Rossini: Cujus Animam (do Stabat Mater) – canto
Abgar Campos Tirado: Prelúdio, Marcha e Final – flauta, clarineta e piano

Igualmente Prof. Abgar ganhou notoriedade em outra área que exige perícia e entendimento perfeito da harmonia: a de pianista acompanhador, fazendo a parte de orquestra nos seguintes concertos, todos executados no Teatro Municipal de SJDR: Concerto em lá menor op. 54, de Robert Schumann, com o solo a cargo de Humberto Rutowitsch Garrón (4/7/1997); Concerto nº 5 op. 73 “Imperador”, de Beethoven (2008) e Concerto nº 2 em ré menor op. 40, de Mendelssohn (2009), acompanhando o solista Franz Ventura. Acompanhou também grandes cantores, como ocorreu em recital em 1986 com as sopranos Ruth Staerke e Leda Cintra, bem como com os tenores Antônio Casanova (português) e Tito Sbar (italiano).

Lembrar os artistas notáveis que freqüentaram a casa de Abgar é uma obrigação. Amigo dos grandes pianistas brasileiros, acolheu alguns dos principais, a saber: Isabel Mourão, que está residindo entre nós são-joanenses, Celina Szrvinsk, Anna Stella Schic (1925-2009), Arnaldo Estrella (1908-1981), Berenice Menegale e Magdalena Tagliaferro (Petrópolis, 1893-Rio de Janeiro, 1986). Além de pianistas, também visitaram a residência de Abgar a soprano Rute Pardini e os compositores José Maria Neves, Gilberto Mendes, Almeida Prado (1943-2010), o português Jorge Peixinho (1940-1995), o francês Michel Philipot (1925-1996), os uruguaios Conrado Silva e Héctor Tosar (1923-2002) e o argentino Eduardo Bértola (1939-1996). ³

Em especial, a amizade imorredoura entre Abgar e Magdalena Tagliaferro, a pianista laureada em todos os teatros do mundo e participante dos mais famosos júris de concursos internacionais, trouxe e tem trazido belos frutos e benefícios incontáveis à nossa cidade que ela amou e incluiu no circuito de suas apresentações, todas as vezes que retornava ao Brasil. Da grande amizade resultou esta comovente colaboração literária de Abgar no livro Magdalena Tagliaferro, um livro biográfico e de depoimentos de personalidades sobre Tagliaferro, a convite da autora Helena Beatriz Greco Laguna:

Sob o ponto de vista artístico, considero Magda Tagliaferro uma das mais geniais pianistas de todos os tempos, uma intérprete do mais alto nível, senhora de uma profunda compreensão musical, de uma técnica exuberante, mas sempre subordinada aos superiores imperativos da Música e nunca exibicionista. Possui uma sonoridade que fascina quem a ouve, ao lado de um frasear lúcido, sutil e do mais refinado acabamento. Sua versatilidade é impressionante e seu repertório, admirável, pela extensão e pela qualidade. Com a mesma superior autoridade e mestria, domina os mais diversos autores, das diferentes épocas e como só acontece com os grandes intérpretes, da mais acurada fidelidade ao texto musical, desponta, magnífica, sua inconfundível personalidade. E sob o ponto de vista humano, poder-se-ia dizer que em Magdalena Tagliaferro, a pessoa é tão admirável quanto a artista (ou ainda mais). Inteligente, culta e sensível, Magda Tagliaferro é possuidora de uma personalidade riquíssima, com notável capacidade de comunicação, profundamente amiga de seus amigos, grande conhecedora da natureza humana, a qual sente e compreende. Demonstra amar intensamente a vida, em todas as suas manifestações e, de modo especial, no que diz respeito ao Belo. O belo dos sons, das formas, das cores e dos corações. E eloquentemente sintetizando o lado artístico e o lado humano de sua personalidade, avulta a Mestra extraordinária, responsável pela formação de tantos artistas notáveis que hoje vêm fascinando as plateias internacionais. Magda Tagliaferro é sem dúvida uma criatura eleita dos céus: uma personalidade digna de ser amada, admirada e celebrada por todas as gerações e em todos os tempos. Abgar Campos Tirado, 01/06/1982

Vale igualmente conhecer o comentário de Abgar que figurou no programa do Recital Chopin que Magdalena Tagliaferro tocou no Teatro do Colégio Nossa Senhora das Dores, em São João del-Rei, em 26 de agosto de 1983, em comemoração ao 30º aniversário do Conservatório Estadual de Música Pe. José Maria Xavier, com o apoio da Prefeitura Municipal e Secretaria de Turismo. Antes de conhecer o pensamento de Abgar, vejamos o programa que a “Grande Dama do Piano Brasileiro” apresentou naquela noite memorável:

Primeira Parte

Polonaise Op. 26 nº 1
Quatro Improvisos: Op. 29, Op. 36, Op. 51 e Op. 66 (Fantaisie-Impromptu)
Tarantela Op. 43

Segunda Parte
Noturno Op. 27 nº 2
Três Estudos Op. 25 nº 5, Op. 10 nº 3 e Op. 25 nº 12
3ª Balada Op. 47

Não imaginávamos que essa seria a última apresentação da pianista em São João del-Rei. Vamos agora ao comentário de Abgar Campos Tirado sobre a concertista da noite:

Falar sobre Magda Tagliaferro é falar sobre uma das mais célebres pianistas de todos os tempos, digna de figurar ao lado de um Liszt, de um Busoni, de um Hofmann ou de um Horowitz; e, ainda assim, ela é única, incomparável. Sobrelevando a seu magistral domínio sobre o material sonoro, tão generosamente rico das mais belas cores e dos mais sutis matizes, existe algo de imponderável, diria mesmo, de metafísico, que envolve suas execuções, conferindo-lhe uma atmosfera transcendente, que arrebata o ouvinte, colocando-o em um estado de êxtase tão intenso, que nele se eterniza, proporcionando-lhe um grau de admiração por Magda Tagliaferro, que se abeira de verdadeiro culto! Nascida em Petrópolis, discípula de seu pai, Paul Tagliaferro, já aos treze anos conquista o Mundo, ao vencer o certame internacional de piano a que se submeteu no Conservatório de Paris, após cursar apenas um ano aquela venerável Instituição. Torna-se então a discípula de Alfred Cortot, que foi seu mestre por excelência e que por ela nutria profunda admiração. E desponta a jovem Magdalena para uma das mais gloriosas carreiras internacionais já registradas na História da Música. E ao lado da celebrada concertista nasce a extraordinária mestra, criadora de escola e método próprios que se imporiam soberbamente na pedagogia pianística, quer através da Cátedra Superior de Piano no Conservatório de Paris, quer através dos Cursos Públicos de alta Interpretação Pianística, ou da Escola Tagliaferro de São Paulo e de Paris. Ocupando posição de tal destaque no cenário pianístico internacional, sua presença é solicitada nos mais vários pontos da Terra na qualidade de intérprete (solando junto às mais célebres orquestras e regentes), de mestra, ou de membro do júri dos mais famosos concursos internacionais de piano, como o Chopin de Varsóvia ou o Tchaikowsky de Moscou, o de Bruxelas, o de Munique, o de Paris, o de Bucarest e outros (em Paris, realiza-se anualmente o Concurso Internacional de Piano Magda Tagliaferro). Possuidora de uma juventude inextinguível, Magda Tagliaferro continua a despertar o mais ardente entusiasmo do público, como em seu apoteótico retorno, em 1979, aos palcos dos Estados Unidos, quando após 39 anos de ausência, o Carnegie Hall, em Nova York, a recebeu de pé, em indescritível delírio, o que vem desde então se repetindo. Magda Tagliaferro de há muito vem gravando excelentes discos, tendo sua gravação dedicada à música de Gabriel Fauré recebido em 1981 o Grand Prix da Academia do Disco de Paris, e publicou, há alguns anos, um encantador livro de memórias, intitulado “Quase Tudo” que, a par da riqueza de conteúdo que nos transmite, revela na grande mestra respeitáveis qualidades de escritora. Desde menina, vem sendo admirada pelos maiores nomes do século como, entre muitos, Fauré, o já citado Cortot, Reynaldo Hahn, Stokowski, Furtwängler, Charles Munch, Villa-Lobos, sendo que muitos dos compositores lhe dedicaram obras. Em recente entrevista, o grande pianista Claudio Arrau falou de sua imensa admiração pela Arte de Magda Tagliaferro. Muito lhe devendo o mundo, principalmente o Brasil e a França, por sua atuação, vem recebendo dos governos os mais altos títulos e condecorações como: Grande Oficial e Comendador da Legião de Honra, Grande Oficial da Ordem Nacional do Mérito, Oficial das Artes e Letras de Paris, entre os franceses; a Condecoração da Ordem do Rio Branco do Brasil; o título de Baronesa de Nauplio; a Ordre Nicham Iftkar da Tunísia, além de outros títulos. Recentemente (agosto/1983) foi-lhe conferido o Título de Grande Oficial da Ordem Nacional do Mérito da Educação em Brasília. Neste ano de 1983, a notável pianista, que uma vez mais fascinou as plateias de Paris, Londres e Nova York, entre outras, comemora 75 anos de carreira internacional, iniciada, brilhantemente, aos quinze anos de idade. Por tudo o que foi dito, conclui-se que Magdalena Tagliaferro não é apenas uma artista de valor excepcional; é, sem dúvida, um dos grandes valores da humanidade e seus recitais, em São João del-Rei, perpetuar-se-ão como luminosos marcos dentro de sua quase tricentenária História Cultural. Abgar Campos Tirado, 26/08/1983

Parece-me oportuno, a título de registro histórico, consignar neste espaço a última carta escrita à mão, de Tagliaferro a Abgar:

Paris, 1º de outubro de 1984
Querido Abgar,
Apenas duas linhas para agradecer sua última carta e para que saibam que estou em plena recuperação e bem melhor. Podem imaginar o quanto me entristeceu o não poder ir ao Brasil nesta temporada. Tive que me conformar. Obrigada também pelos telefonemas da Sylvia. Foi tão bom saber que vocês pensavam em mim! Sofri muito e só depois de radiografias e echografias, os Profissionais chegaram à conclusão de não me operar pois tenho, em particular, uma colite com divertículos no cólon que causou tanto sofrimento. Não fosse a presença da minha Arlette, não sei o que teria sido de mim.
Esperando que esta os encontre todos em perfeita saúde e felizes da vida, aqui vae um grande abraço a São João del-Rei onde fui tão feliz, e a todos os que você sabe que quero bem.
Em particular para Adair e para você, querido Abgar, muito carinho e abraços da sua Magda

Finalmente, a meu pedido, Abgar consentiu em dar o seguinte depoimento sobre sua amizade com Magdalena Tagliaferro:

Desde que a vi pela primeira vez, em recital em Belo Horizonte, no ano de 1956 passei a manter em relação à pianista quase que um culto. Falei com ela em 1964 no Rio de Janeiro, mas somente em 1980, em Uberlândia, teve início nossa grande amizade, incluindo sua maior amiga Arlette Muniz. A convite meu, Magdalena apresentou-se pela primeira vez em São João del-Rei, em 1981. Em 1982 ficou conosco em São João del-Rei, por sete dias, tendo eu, convidado por ela, dias antes, ido a São Paulo para concerto seu com orquestra. Em 1983 veio ela pela última vez a São João del-Rei, ficando conosco por dez dias. Dias depois fui estar com ela no Rio de Janeiro, podendo conversar bastante com ela e com Arlette, no apartamento de Myrian Dauelsberg, onde se hospedavam, indo eu inclusive até o aeroporto em sua partida para Paris. Em 1984 Magdalena tocou também em Londres, mas naquele ano não veio ao Brasil. Mas nos falávamos através de cartas e de telefone. Naquele ano ela se submeteu, na Europa, a tratamento de saúde. Em 1985, voltou ao Brasil e eu estive presente ao Recital de Gala no Teatro Municipal, no Rio de Janeiro, promovido pela Dell' Arte, com a presença do presidente da República, José Sarney, e do Governador Leonel Brizola. Naquela ocasião, o presidente Sarney fez uma bela peça literária em louvor à pianista, lida pelo ator Paulo Gracindo, quando também foi condecorada pelo presidente da República. Ela, em brilhante improviso, fez o agradecimento. A seguir, houve uma recepção no apartamento de Myrian Dauelsberg, para a qual fui convidado. Ali estavam grandes personalidades, entre as quais, Francisco Mignone, Mindinha Villa-Lobos, Austregésilo de Athaíde, Eurico Nogueira França e sua esposa, a pianista Ivy Improta, o pianista francês Daniel Varsano, a pianista Júlia Wagner Cohen e muitos outros nomes notáveis. No dia seguinte voltei ao apartamento para despedir-me de Magdalena, que voltaria para Paris. Em 1986, Magdalena voltou ao Brasil e falei com ela, por telefone, informando-a de que no começo da semana seguinte iria vê-la no Rio, levando-lhe, inclusive, balas “candy” caseiras, que ela muito apreciava. Suas palavras de despedida: “Então, até a semana que vem!”. Mas poucas horas antes de meu embarque, tive a triste notícia: Magdalena falecera repentinamente. Fui para o velório, no Teatro Municipal e acompanhei seu enterro, no cemitério de São João Batista. O falecimento se deu a 09 de setembro de 1986 e o funeral, no dia seguinte. De Magdalena, além de cartas, fotos e gravações, tenho velha partitura do Carnaval de Viena, de Schumann, que a ela pertenceu e com a qual estudou, ainda quase menina, essa peça musical. Há na partitura anotações de seu mestre (Marmontel? Cortot?). Tenho muito orgulho dessa posse. Sinto-me muito feliz de ser considerado como pertencente ao círculo mais íntimo, familiar, da grande pianista. Abgar Campos Tirado, 25/03/2011

Prof. Abgar também mostrou domínio absoluto do universo musical e filosófico de Nietzsche, ao discorrer e solar peças escolhidas do renomado filósofo-músico na PUC-BH, na UFJF e no Campus Dom Bosco da UFSJ.

Outra área de sua competência, pelo menos desde 1993, é a de comentarista sacro da Semana Santa de São João del-Rei. Suas explicações do texto sacro e da música constituem um ponto alto das festividades na Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, transmitidas pela Rádio São João del-Rei e TV Campos de Minas, além de outros veículos, disponibilizadas também na Internet para todo o mundo em tempo real. São altamente comovedores os seus comentários sobre os Ofícios de Trevas, levando amiúde o público às lágrimas.

Atualmente Prof. Abgar é o Presidente de Honra da Sociedade de Concertos Sinfônicos. Também outra atividade em que se destacou foi sua participação em várias bancas julgadoras, cabendo citar as mais importantes: em Juiz de Fora e Varginha (de piano) e na UFSJ (literária).

Bacharel e licenciado em Letras Anglo-Germânicas pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras em 1962 (atual UFSJ), Abgar foi orador pela turma saudando o paraninfo Cardeal Dom Carlos Carmello de Vasconcelos Motta (1890-1982).

Professor de Português e Inglês por concurso de provas e títulos na rede estadual, hoje Prof. Abgar está aposentado, mas atua ainda como professor voluntário de Latim no Seminário Diocesano São Tiago. Através do magistério, orgulha-se de ter colaborado para o florescimento de novas lideranças locais e até nacionais, e para a melhoria do padrão intelectual e espiritual de seus alunos. Não sei se estou cometendo uma indiscrição, mas soube de fonte segura que Prof. Abgar, aos 26 anos, submeteu-se a dois concursos realizados em Belo Horizonte, para titular, respectivamente, da cadeira de Português e da de Inglês do Colégio Estadual “Cônego Osvaldo Lustosa” de SJDR. Pois bem: em ambos, logrou alcançar o primeiro lugar no Estado de Minas Gerais.

Ainda cabe lembrar que Abgar é sempre convidado por diversas entidades a palestrar sobre assuntos variados que brilhantemente domina, tais como: Hino Nacional Brasileiro, Beethoven, Villa-Lobos, Pe. Antônio Vieira (em 2008, em comemoração pelo IV centenário do nascimento do orador sacro português) e outros.

Sobre a participação ativa de Abgar em academias, institutos e entidades beneficentes e culturais cabem algumas palavras. Inicialmente, é membro efetivo da Academia de Letras de São João del-Rei desde 1972. A cadeira que Abgar ocupa tem como patrono o saudoso Prof. Domingos Horta (Itabira, 1904-São João del-Rei, 1967). Salvo engano, Abgar é o membro efetivo vivo mais antigo da Arcádia são-joanense.

Meu homenageado pertence também à Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, que se reuniu extraordinariamente em São João del-Rei para dar posse ao nosso conterrâneo ilustre. A cadeira que Abgar ocupa tem como patrono o grande orador são-joanense Dr. Belisário Leite de Andrade (São João del-Rei, 1911-Rio de Janeiro, 1977).

Devo ainda salientar que o Prof. Abgar é membro de outras ilustres entidades, tais como sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei e do Rotary Club; sócio correspondente da Academia Valenciana de Letras (para a qual escreveu artigo sobre Beethoven, intitulado “A Vitória do Espírito sobre a Adversidade”.

Da Fundação Oscar Araripe em Tiradentes é membro curador. Abgar também é colaborador permanente do jornal da ASAP sobre temas os mais variados. É também conselheiro do CEREM – Centro de Referência Musicológica José Maria Neves.

Por essas razões, e por muitas outras que não foi possível destacar aqui, mas que estão na memória dos são-joanenses, o título de "glória de São João del-Rei" para o Prof. Abgar não constitui nenhum exagero de minha parte, mas a expressão fiel da gratidão da comunidade são-joanense pelo muito que ele tem feito em prol do engrandecimento de sua terra natal.


NOTAS DO AUTOR


¹
TIRADO, A. C.: Raízes e Coração, A Voz do Lenheiro Editora, São João del-Rei, 2ª edição, 1997. Conforme Eric Ponty assinalou na Apresentação ao referido livro de Abgar, “quem já leu seus poemas sabe que sua veia clássica transparece nos versos livres e metrificados, com a maestria de quem dedilha a língua como as teclas de um piano, ou seja, a virtuosidade de sempre."

² GUERRA, A.: Pequena História de Teatro, Circo, Música e Variedades em São João del-Rei: 1717 a 1967, editado pela Sociedade Propagadora Esdeva "Lar Católico", Juiz de Fora-MG, p. 306.

³ Prof. Abgar, com sua elegância tão conhecida de todos os que convivemos ou convivem com ele, faz a seguinte ressalva, digna das pessoas finas e escrupulosas: “Citar todos meus amigos musicistas compreenderia uma lista interminável e certamente conteria omissões imperdoáveis. Mesmo assim, considerando sua relevância no cenário musical e/ou a convivência fraterna, tento fazer uma relação desses nomes, a maior parte integrantes de nossas corporações musicais. Além dos já enumerados, especialmente meus mestres de piano, como também meus parceiros em apresentações públicas, não podendo igualmente esquecer os professores de nosso Conservatório (aqui representados pela Profª Vera Bittar), de nossa UFRJ e de entidades musicais de outras localidades, ouso ainda citar os seguintes, alguns dos quais já falecidos:
- os pianistas Homero de Magalhães, Eduardo Hazan, Luís Henrique Senise, Ricardo Castelo Branco, Márcio Nacif, Ronaldo Mansur, Alfredo Amaral de Carvalho, Jayme Cabral Guimarães, Anderson Daher, Thiago Bertoldy, Eduardo Tagliacci, Humberto Rutowitsch Garrón, Estela Caldi, Carla Reis, Cora Pavan Capparelli, Clara Paes Leme, Lídia Limp, Maria Lúcia Coutinho, Giselle Nacif Witkowski, Maria Inês Nacif, Hugo Adaad, Maria Salomé Moraes, Marcos Leite, Sérgio Vianna, Lygia Cardoso de Assis, Maria Rita Bizzotto, Maria Amélia Viegas, Adriana Abid Mundim, Aline dos Santos e Ananda Nicolau;
- os violinistas Diomedes Garcia de Lima, Carmélio de Assis Pereira, Milton Couto, Márcio Valadão, José Lourenço Parreira, Santino Parpinelli, Mariuccia Yacovino, Cleiton Ribeiro, Laetícia Ferreira, Jorge Sade, Geraldo Ivon da Silva ("Patusca"), Anthony C. Moura Nery, Paulo Márcio G. Amaro e Rafael Dias;
- os clarinetistas Walter Alves de Souza, Ney Franco, Luciano Trindade do Carmo, Sadik Haddad, Edson Sales, Antônio Carlos Rozzeto e Jonas Fernando;
- o clarinetista e saxofonista José dos Santos;
- o clarinetista e oboísta Sílvio Padilha;
- os violoncelistas Santiago Sabino de Carvalho, David Chew, Robson Fonseca Ferreira e Abel Moraes;
- os flautistas Joaquim da Rocha, Stael Viegas Malamut, Expedito Vianna, César Augustus Diniz, Antônio Carlos Guimarães, Maria Salomé Viegas, Fabiana Coelho, Daniel Della-Sávia, Fernando Sales, Mauro A. dos Santos, Nilson Padilha Castanheira e Edmundo da Silva Filho;
- os trompistas Celso Rodrigues Benedito, Edmar Ávila ("Mazinho") e Francisco Valim;
- a violista Ivone Cavalcante Lage;
- o violonista: José Severino de Assis (representando os demais);
- o bombardinista: Ajax Zanetti de Oliveira;
- o trompetista Francisco Mangabeira;
- o fagotista Romeu Rabelo;
- as cantoras e atrizes Celma e Célia;
- o pianista e cantor Tarcísio do Nascimento Teixeira;
- os cantores Emanoel C. Velozo, José Geraldo da Silva ("Tuca"), José Raimundo de Ávila, Dêivide Ávila, Lucilene Silvério, Elisabeth Almeida, Claudiney Gouveia, Diemes Evandro, Rubens Rodrigo, Ary Rodrigues, Maria Panamá, José R. Lobato Costa, Antônio Moura (Toné), Vicente Viegas, Sérgio Silva, Belchior dos Santos, Dimas Luís, Anacleto Pimenta, Antônio Geraldo Reis, Euclides J. Corrêa, Célia Montrezor, Salete Bini, Jânice Mendonça de Almeida, Leda Neto Zarur, Leila Taier, Maria do Carmo Hilário ("Quiquinha"), Marta Hilário Teixeira, Ângela M. Tirado dos Santos, Gina Biavati, Lilia Assis, Elisabete Mendonça, Kissya Oliveira, Danúbia Terra, Maria Catarina Guimarães, Maria Aparecida Fonseca, Márcia Silva, Selma Silva, Nilcéia Neves, Fátima Batista Lopes, Denise Tavares, Elenis Guimarães e Maria da Conceição Santos;
- os regentes (e instrumentistas ou cantores): João Cavalcanti, Pedro de Souza, Emílio Viegas, Carlos Eduardo Assis Camarano, Willer Silveira, Paulo Miranda, Enivaldo Arruda, Luiz Antônio Bini, Benigno Parreira, Adilson Cândido, Ilan Sebastian Grabe, Rodrigo Sampaio, Hélio Magalhães, Maria Stella Neves Valle, Anizabel Rodrigues de Lucas e Marily Assis;
- Inês R. Frância (regência de coral);
- André Luis Pires (piano e órgão);
- Loló Carvalho (canto e piano);
- Lúcio Barreto (violoncelo e canto);
- Irene Sacramento (violino e teclado);
- Vicente Valle (composição);
- Gustavo de Carvalho ( Maestro "Guaraná") (arranjador e regente da Rádio Nacional);
- José Rodríguez Fauré (maestro e compositor argentino);
- Geraldo Barbosa de Souza (composição, regência e instrumentos);
- Marcelo Ramos (regência, violoncelo e composição);
- Aluízio José Viegas (regência, instrumentos e musicologia);
- Francisco José dos Santos Braga (composição eletroacústica e piano);
- Ernani Aguiar e Normando Carneiro da Silva (composição e regência);
- Emmanuel Coelho Maciel (violino, composição e regência);
- Paulo André Tirado dos Santos (composição e teclados);
- Teófilo Helvécio Rodrigues (regência, composição e trompete);
- Franz Ventura (piano e composição);
- Oswaldo C. de Paula (violão e composição);
- Chekrouni Mohamed (Diretor do Conservatório Municipal de Música de Meknes, Marrocos)."

LAGUNA, H.B.G.: Magdalena Tagliaferro, Irmãos Vitale Editores, São Paulo, 1983, p. 117.

O elogio ao Prof. Domingos Horta, pronunciado em 1979, está estampado na Revista da Academia de Letras, Ano I, nº 1, 2005, editada pelo Setor de Gráfica da UFSJ, São João del-Rei, p. 127-136.

O elogio a Belisário pronunciado por Abgar por ocasião de sua posse está estampado na Edição Comemorativa do 33º Aniversário da Academia Municipalista de Minas Gerais, Edições AMULMIG, Belo Horizonte, 1996, p. 15-24.

Artigo publicado no Livro Comemorativo dos 60 anos da criação da Academia Valenciana de Letras, vol. 1, nº 1, Editar Editora Associada, Valença-RJ, 2009, p. 147-152.

Imagem principal: Foto do autor desta matéria ao lado de Prof. Abgar, tirada na sede do Rotary Club de São João del-Rei, em fins de julho de 2010


* Francisco José dos Santos Braga, cidadão são-joanense, tem Bacharelado em Letras (Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, atual UFSJ) e Composição Musical (UnB), bem como Mestrado em Administração (EAESP-FGV). Além de escrever artigos para revistas e jornais, é autor de dois livros e traduziu vários livros na área de Administração Financeira. Participa ativamente de instituições no País e no exterior, como Membro, cabendo destacar as seguintes: Académie Internationale de Lutèce (Paris), Familia Sancti Hieronymi (Clearwater, Flórida), SBME-Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica (2º Tesoureiro), CBG-Colégio Brasileiro de Genealogia (Rio de Janeiro), Academia de Letras e Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei-MG, Instituto Histórico e Geográfico de Campanha-MG, Academia Valenciana de Letras e Instituto Cultural Visconde do Rio Preto de Valença-RJ, além da Fundação Oscar Araripe em Tiradentes-MG. Possui o Blog do Braga (www.bragamusician.blogspot.com), um locus de abordagem de temas culturais, musicais, literários, literomusicais, históricos e genealógicos, dedicado, entre outras coisas, ao resgate da memória e à defesa do patrimônio histórico nacional.Mais...

6 comentários:

José Antônio de Ávila disse...

Muito oportuna e merecida esta homenagem que o ilustre Francisco Braga prestou ao amigo e confrade Abgar.
A verdadeira honra não está apenas em receber as homenagens, mas, também e especialmente, em merecê-las. E se há uma pessoa que bem merece as maiores homenagens em São João del-Rei e MG, ela se chama Abgar Antônio Campos Tirado!
Devemos de reconhecer e exaltar os valores das pessoas em vida delas, como aqui bem o fez Francisco Braga. Afinal, como já escreveu Tomaz Antônio Gonzaga, "as glórias que vêm tarde, já vêm frias".

RAY disse...

Caro BRAGA,
Primeiramente quero parabenizar pelo blog e depois pela homenagem MERECIDA ao professor ABGAR.
Eu sou o Pinheiro dos tempos da terceira companhia de fuzileiros , sgt Rene , Torga , NIceu Etc.
Estou em Brasilia-DF desde 1974 quando vim tranferido do Batalhão Tiradentes para a Policia do Exército , me formei em economia etc.
Ray Pinheiro.
raypinheiromg@gmail.com

Professor José Lourenço Parreira disse...

Caríssimo Braga, vivamente, profundamente sensibilizado, aqui estou a tentar falar alguma coisa sobre o seu belo, eloquente, perfeito documento sobre ABGAR.
Nosso querido amigo e mestre tem tamanha magnitude que seu nome, por mim, deveria ser escrito sempre com letras maiúsculas; aliás, hoje, a Santa Igreja celebra um grande: SÃO LEÃO MAGNO!
Voltemos à resposta que procuro dar imediata à leitura de suas áureas, belas palavras, ainda que me falte suficiente eloquência para fazê-lo.
Braga, quando estamos viajando, via terrestre, ao contemplar a natureza, observamos que os acidentes mais elevados ou edificações são o que vemos por último. Tudo o mais, por menores serem, escampam à nossa vista. Assim são os seres humanos, se compararmos a estrada terrestre à estrada da existência. Com o passar do tempo, vão caindo no oblívio tantos nomes; no entanto, os mais altos, os gigantes serão lembrados, vistos até ao final. Na estrada do meu caminhar existencial, já esqueci muitos e muitas... mas os gigantes, não!
É por isso que feliz foi o seu reencontro, pois, jamais o esqueci, caro amigo!
Para não tomar-lhe o precioso tempo, volto-me para ABGAR, apenas.
No seu artigo, Braga, você citou nomes que marcaram minha história, tais como Dr. Belisário Leite de Andrade e Magdalena Tagliaferro. Conheci-os, não pessoalmente, mas em linhas transversas.
No tempo em que você e eu andávamos e filosofávamos pelas ruas da querida São João del-Rei, ainda viva minha saudosa mãe, OLIRA, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro levava ao ar uma novela, às duas horas da tarde. Seu nome: O Dono da Saudade. A Rádio Nacional do Rio de Janeiro era um bastião de cultura e seus sonoplastas, até hoje, imbatíveis. Para O Dono da Saudade foi escrita belíssima obra para piano e orquestra. Imagina o nível!
Muitos e muitos anos passados, aqui em Campo Grande, toquei nas bodas dos pais de uma amiga, que, agradecida, me convidou para o almoço em sua residência que, óbvio, reunira pessoas queridas daqui e alhures. Tive a felicidade de sentar-me ao lado de uma senhora que elogiou-me a música que eu tocara e disse ser pianista, no Rio de Janeiro. No meio da conversa falei com ela sobre a antiga composição feita para O Dono da Saudade. Cantei-lhe o tema e ela deu o nome: Fantasia para piano e orquestra.... Disse-me que havia tocado a referida obra e mais, veja só Braga: "fui, durante anos, professora auxiliar da querida mestra Magdalena Tagliaferro...".
ABGAR, foi meu professor no antigo Ginásio Tiradentes, meu amigo. Não raro eu ia com meu violino passar música com ele, sempre muito disponível. Lembro-me, certa noite, fui à Igreja de São Francisco. ABGAR estava no coro, tocando. Conheci, então, uma sua composição: "Ecce, panis".
Neste ano, em agosto, estive rapidamente em sua residência. Fui entregar-lhe um pequeno escrito meu e do meu filho, dentre outros autores. Disse-me ele que, na sua biblioteca, reservou um espaço para colocar os documentos que lhe envio. Quanta honra para mim, caríssimo Braga, já que meus escritos são rabiscos diante de literatos como ABGAR, ALUÍZIO e você, caríssimo amigo.
Todos os anos, no dia 31 de outubro, disco o número 3371 9260 e quando ABGAR atende, peço um minuto de atenção e toco alguma peça ao violino: é o meu cumprimento por mais um aniversário natalício do gigante: ABGAR!

Braga, carissimo, escrevi levado por duas asas: da emoção suscitada com o seu descrever e da saudade da querida São João! Desculpe-me, então, os escorregões, pois tive pressa em responder-lhe o email.
Nas suas orações, não se esqueça de seu amigo!

Lourenço Parreira

Professor José Lourenço Parreira disse...

Caríssimo Braga, ao ler suas palavras no elogio ao querido Abgar encontrei evocações de nomes que constituem meu tesouro afetivo. Dentre eles, Gil Amaral Campos. Sempre me lembrava dele simplesmente Gil! Dele, nada sabia a não ser que era muito amigo de Abgar, Aluízio Viegas e Geraldo Barbosa.
Tive alguns contatos dele. Assim como tinha alta estatura, tinha também alta elegância, fino trato e sempre me saudava com inesquecíveis carinho e entusiasmo!
Hoje, segunda-feira, dia das almas, vou rezar pela alma dele.
Muito obrigado, Braga, por lembrar-me do querido Gil que foi e é importante para a sua vida.

Continuando... Gil, naqueles tempos, — diziam-me Aluízio, Geraldo e Abgar, — trabalhava no Banco Holandês, no Rio de Janeiro. Com os olhos do coração, que não conhece tempo nem espaço, vejo-o alto, claro, trajando terno e gravata, chegando para visitar Abgar, em sua residência. Eu estava saindo e ele me saudou com entusiasmo e sorrindo!
Forte abraço, amigo Braga!

Prof. Ulisses Passarelli (folclorista e Membro da Academia de Letras de SJDR) disse...

Ufa! Que senhora biografia!!! Texto excelente que registra fielmente a capacidade deste grande nome de nossa terra. Abgar é um nome que engrandece nossa terra. Parabéns, Francisco, mais uma vez.
Com um abraço fraterno,
Ulisses.

Aluízio José Viegas (flautista, violoncelista, regente, historiador e pesquisador musical) disse...

Francisco,
Tenho recebido seus e-mails e o de hoje, contendo informações sobre a imprensa jornalística em São João del-Rei, na parte que foca o jornal Tribuna Sanjoanense, estampa um artigo do nosso comum amigo Abgar, sobre São João del-Rei e Aiuruoca.
O grupo musical organizado para ir à Aiuruoca, esteve sob a regência do sempre saudoso Maestro Pedro de Souza, e dele participaram: Benigno Parreira, Geraldo Barbosa de Souza, Maria do Carmo Hilário, Abgar Tirado, Vicente Viegas, Milton Couto, Jorge Sade, Terezinha Sales, Vicente Valle, Stela Neves Vale, Amândio Ribeiro (trompete), Anália Silva, Maria Lúcia Monteiro, Alzeni Zanetti, Sadick Haddad, eu e vários outros músicos e cantores.
Na inauguração da "Alameda São João del-Rei", discursou o notável Dantas Mota, e do discurso improviso guardei uma frase do eloquente orador, ao comentar sobre a via pública que se inaugurava. A alameda era pequena e era a via de acesso para a Escola de 2º grau que também se inaugurava naquele ano.
Disse Dantas Mota, após estabelecer vários paralelos entre Aiuruoca e São João del-Rei: "Esta pequena via pública, pequena em suas dimensões físicas é imensamente grande na homenagem que se presta a São João del-Rei. É a via de acesso para a escola de 2º grau e seu significado seja sempre esse: todos os que nela transitarem saibam que o caminho do saber em Aiuruoca é passar por São João del-Rei".
Não sei se os que estiveram naquele momento em Aiuruoca ainda se lembram desse fato.
Fica esse registro para você.
Abraço,
Aluízio Viegas